Cidade de Salvador foi planejada para ser capital

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Cleidiana Ramos

Foto: Aristides Alves

Salvador é uma cidade planejada. As terras no entorno da baía de águas tranquilas, denominada de Todos-os-Santos porque Américo Vespúcio aportou nela no dia dessa celebração no calendário católico, foram consideradas ideais para que a coroa portuguesa erguesse uma cidade para servir de entreposto nos caminhos para as suas colônias na África e na Ásia.

A construção da que seria a primeira capital do Brasil marcou também a mudança na política portuguesa em relação às terras de que havia tomado posse nas Américas. Após algumas tentativas de colonização, que não mostravam resultados satisfatórios como as capitanias hereditárias, Portugal resolveu aprimorar a sua administração sobre o novo território.

Até perder o posto de capital do Brasil para o Rio de Janeiro em 1763, Salvador foi o maior porto das Américas. Por ela passavam os navios que faziam o trânsito do comércio ultramarino de Portugal, inclusive o que envolvia a venda de africanos escravizados.  Não à toa, a cidade tem uma forte herança africana em vários dos seus aspectos culturais, e sua população é formada por 75% de afrodescendentes, percentual que se aproxima de cidades africanas como Lagos, na Nigéria.

A construção da cidade foi encarregada a Thomé de Souza, nomeado governador geral. O posto lhe dava, além de poderes administrativos, poderes militares. Na bagagem, ele trouxe a planta para erguer a capital da colônia e também instruções do rei para lidar com os índios que habitavam o território. A principal delas era convertê-los ao cristianismo e, por isso, na frota vieram padres da Companhia de Jesus.

Pode-se contemplar de perto a história desse período visitando dois imóveis: a sede da Câmara Municipal de Salvador e o subsolo da Faculdade de Medicina, onde fica o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE). Os dois estão situados no Centro Histórico.

Na Câmara Municipal de Salvador, localizada na Praça Municipal, logo na parte térrea existe um memorial que conta a história da administração civil e também judicial, no período do Brasil Colônia, pois ela funcionou como prisão. No pátio externo tem uma placa que avisa que os presos podem beber água da fonte, escrita em um português que se mistura ao castelhano.

Foto: Divulgação

A Faculdade de Medicina fica no Terreiro de Jesus. No subsolo do prédio funcionou o Colégio dos Jesuítas. O imóvel é o segundo mais antigo da cidade – o primeiro é o da Câmara. Atualmente, essa parte do prédio abriga o MAE, que possui acervo arqueológico e o relacionado a várias etnias indígenas.

Acima está o Museu Afro-Brasileiro (Mafro), que guarda coleções tanto africanas como as inspiradas em sua herança. No primeiro andar está a memória da Faculdade de Medicina da Ufba, a primeira criada no Brasil no século XIX. No local funcionam departamentos administrativos da instituição, além de memorial.

Foto: Divulgação

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